06 maio, 2015

O mundo é um moinho

Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Presta atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó

Presta atenção, querida
Em cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés

Cartola

Parece você cantando para mim

29 janeiro, 2015

Pausa

As vezes é bom dar uma pausa.
Uma pausa para um café,
um cigarro,
um banho,
uma conversa,
para pensar melhor,
um longo e profundo suspiro,
Uma pausa nos pensamentos,
nos sonhos,
na respiração,
na vida.

Lamento o tempo não poder pausar.
Lamento as vezes não poder pausar quem sou.

-
DCFC - Transatlanticism

19 novembro, 2014

Hoje

Hoje o dia está tão bonito para deixar de ser.

25 setembro, 2014

Sobre o eu de hoje

Não sei se mereço o título de escritor se não escrevo. Mas acho que escutei alguém dizer que não precisa escrever para ser um escritor, eu queria ter perguntado a esse alguém que absurdo é este e pedido uma explicação. Mas olhe para mim, estou sempre calado. Sou um pássaro mudo e um escritor que não escreve.

19 julho, 2014

Este versinho

Por que me trancas 
o rosto e o riso 
e assim me arrancas 
do paraíso

Por que não queres, 
deixando o alarme 
(ai, Deus: mulheres!), 
acarinhar-me

Por que cultivas 
as sem perfume 
e agressivas, 
flores do ciúme

Acaso ignoras 
que te amo tanto, 
todas as horas, 
já nem sei quanto 

Visto que em suma 
é todo teu, 
de mais nenhuma, 
o peito meu 

Anjo sem fé 
nas minhas juras, 
porque é que é 
que me angusturas

Minh'alma chove 
frio, tristinho. 
Não te comove 
este versinho?

Carlos  Drummond de Andrade